Bem vindos a Paraty

Vamos aproveitar esta oportunidade para simular uma visita a Paraty. Aqui estão algumas praias e ilhas de nossa baía por onde fazemos ótimos passeios. Veja as maravilhas que temos para desfrutar aqui, sem contar nas dezenas de cachoeiras e o Centro Histórico com casarões antigos e suas ruas cobertas de pedras desde a época dos escravos.
Agora não perca mais tempo e faça uma reserva em Paraty, temos as melhores opções de hospedagens para você.


Nascer do Sol

Nascer do Sol

Lagoa azul

Lagoa azul
Lagoa azul

Ilha do Mantimento

Ilha do Mantimento
Ilha do Mantimento


Cumprida Norte

Cumprida Norte
Cumprida Norte

Ilha Cumprida



RPM

RPM

Ilha da Pescaria

Ilha da Pescaria
Ilha da Pescaria

Salvador Moreira (área de nudismo)

Praia da Lula

Praia da Lula
Praia da Lula

Cachoeira do Tobogã

Cachoeira do Tobogã
Cachoeira do Tobogã

Cachoeira da Pedra Branca

Cachoeira da Pedra Branca
Cachoeira da Pedra Branca

Passeios Noturnos

Passeios Noturnos
Passeios Noturnos

Ilha da Cotia

Ilha da Cotia
Ilha da Cotia

Praia do Rosa

Praia do Rosa
Praia do Rosa

Ilha da Sapeca

Ilha da Sapeca
Ilha da Sapeca

quarta-feira, 19 de maio de 2010

IGREJA N. Srª do Rosário E SÃO BENEDITO

De sombria elegância e de unidade formal, destonando do altar principal dedicado a N. Srª do Rosário, de fatura bem posterior.
Hoje essa igreja é conhecida como Igreja do Rosário. Sua construção iniciou-se por volta de 1725, por pedido dos irmãos Manoel e Pedro Ferreira dos Santos. Ajudaram na obra os pretos escravos e libertos da região. Em 1757 foi a primitiva igreja totalmente reformada.
O douramento dos altares é obra do final do século passado.
A obra foi executada por um pintor chamado, por esse motivo, de "João Dourador". O altar de São Benedito foi mandado dourar por Manoel Francisco de Alvarenga e Souza, o "Chico Souza, líder político local em pagamento de promessa e os paratynet dois pela irmandade. Nota-se que o altar de São Benedito é o mais ricamente dourado.
As irmandades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos foram instituídas em 20 de agosto de 1750 e nela só podiam ingressar os homens negros.

O Tesoureiro da Irmandade, porém, era sempre um branco, pois que os escravos não podiam receber dinheiro, assinar recibos e documentos.

Nesta Igreja realiza-se a Festa de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no mês de Novembro. Nela existem as procissões com bandeiras brancas, com registos dos Oragos, pelos bairros e cidade, durante os 10 dias da novena.

No dia da festa, pela manhã, o Rei e a Rainha dirigemse em procissão para a igreja onde são coroados e assistem a Missa Solene.

À noite o Casal Real preside a procissão de encerramento, sempre portando as insígnias reais: cetro e coroa de prata e ladeados por guarda de honra.
Antigamente, na véspera da festa distribuía-se comida para o povo e carne para os pobres, e no dia da festa o rei distribuía doces.

De sombria elegância e de unidade formal, destonando do altar principal dedicado a N. Srª do Rosário, de fatura bem posterior.
1. Altar Mor de Nossa Senhora do Rosário:
Titular da Igreja, cuja imagem em madeira policromada, do Século XVIII, foi recentemente restaurada e se encontra no oratório central. Do lado direito São Francisco de Assis, imagem de madeira, do século XVIII e do lado esquerdo Santo Antônio de Pádua, terracota, Século XVII.
2. Altar de São Benedito:
imagem em madeira, do século XVIII, no oratório central, ladeada pelas imagens do Menino Jesus de Praga, e Sagrado Coração de Jesus, ambas em gesso, século XX.
3. Altar de São João Batista:
imagem de madeira, Século XVIII, no oratório central, ladeada pelas imagens de Nossa Senhora da Conceição e Sant'Ana, ambas em gesso, Século XX.
4. Púlpito:
em madeira, tendo ao centro o monograma de Nossa Senhora "AM", superpostos, sobre base de pedra lavada.
5. Púlpito:
Um detalhe interessante nessa igreja é o abacaxi que serve de suporte ao lustre de cristal, no centro da nave. Parece-nos a primeira e única inserção da flora tropical brasileira na decoração de um ambiente sagrado em Paraty.

FESTAS de são benedito EM PARATY

Paraty - Festa  de São Benedito
Considerada a Festa do Divino dos Pretos, a festa de São Bendito foi criada para eles, pois, segundo se conta os pretos não podiam participar das festividades do Divino.
Nascido escravo em 1525, filho de pais africanos São Benedito foi alforriado aos 18 anos, tornando-se franciscano e falecendo como seu superior em 1589, com foros de santidade.

A devoção a S. Benedito foi introduzida no Brasil antes mesmo de sua beatificação, pelos frades franciscanos, que assim propunham aos descendentes de africanos - um modelo da sua raça e da sua cor.
Breve Histórico
Éra tradição em Paraty que, como os pretos não podiam participar das festividades do Divino, criaram para eles um Rei e uma Rainha, que se vestiam na procissão com roupas iguais as usadas "pelo Imperador do Brasil e pelo Rei de Portugal".

Usavam, como ainda hoje, coroa e cetro, onde se encontra gravada a imagem de São Benedito.

Realmente, encontramos na festa de coroação do Rei Congo, em todo o Brasil, um sincretismo luso-africano, unindo essas duas estruturas sociais. De fato, comparando-se as duas festas, em Paraty, vemos que a de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é uma cópia mais modesta da Festa do Divino.

No lugar do Imperador, é coroado um Rei. No lugar de Folias que cantam, temos a Folia Muda. Em lugar do vinho, da carne, dos doces e dos salgados, apenas doces e refrigerantes, havendo carne "quando i' o dinheiro der", o que raramente acontece. Confirma-se o dito de que "a Festa de São Benedito é a Festa do Divino dos Pretos", portanto "uma forma de acomodação social para as duas classes: um rei para os escravos, e um imperador para os senhores.

0 rei dos pretos era aclamado, e o imperador era escolhido por sorteio, ambos, porém, coroados, fugindo do que havia em Portugal: Rei é aclamado, e Imperador coroado".

Também em sua esquemática a festa de São Benedito se assemelha à do Divino. Feita a escolha dos festeiros, em geral um casal, estes escolhem rei e rainha, que devem ser crianças, mas "de cor".

Muitos pais fazem promessa para que seus filhos sejam "rei e rainha" de São Benedito. Os festeiros passam em seguida, à função de angariar dinheiro para a festa, o que é feito de duas maneiras: correndo listas pela cidade, e contratando uma Folia.
Como é Realizada as Festa
Nas vésperas da Festa as casas da cidade são visitadas pelos próprios festeiros, que pedem prendas. São, assim, recolhidos leitões, frangos, abóboras, bebidas, doces, etc. Pelo costume, nesta festa apenas se distribuem doces.
Para o preparo das iguarias, muita gente ajuda, tanto por gosto" como "por promessa".

A festa, propriamente, tem inicio pelo levantamento do Mastro.
0 Mastro, pintado de azul e branco em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, tem a encimado uma bandeira, com as imagens de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário, uma de cada um dos lados, aquela em fundo branco, e esta em fundo azul.
0 Mastro permanece erguido até o final da festa, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, quando é arriado pelo próximo festeiro. Para Luís da Câmara Cascudo, "a bandeira do santo no alto do mastro informa que ele está presente na sua festa e aguarda o concurso de seus fiéis".
Com o início da' novena, movimentam-se as Bandeiras todas as noites, da casa dos devotos até à Igreja do Rosário, sempre acompanhadas pela Bandeira da Folia. Dedica-se cada noite da novena a uma classe: pescadores, lavradores, pedreiros, estudantes, funcionários, tendo sido anotada em 1972 uma nova classe, a dos turistas.
Na manhã da festa, o povo se reúne à frente da casa do festeiro. Todos querem ver a saída do rei e da rainha, como ocorre na festa do Divino. Indo ele vestido de branco, com manto de veludo vermelho, comprido.

Levava à mão o cetro e à cabeça a coroa, ambos de prata. A rainha apresentou-se de vestido longo, cor-de-rosa. Ostentava diadema de pedras brancas à cabeça, levando à mão uma salva, onde descansava sua coroa de prata.
Caminham o rei e a rainha dentro de um "quadro", à moda dos Imperadores do Divino. Na festa de São Bendito, o quadro é pintado de azul, seguindo atrás dele os festeiros, as bandeiras, a banda de música e a folia. Vem por último o povo.
0 cortejo assim formado segue até à igreja de São Benedito e do Rosário, onde tem lugar a missa, em seguida à qual todos retornam, com igual solenidade, à casa da festa, tendo então início a distribuição dos doces.
Ainda em paralelo à Festa do Divino, na casa do festeiro é armado um altar, porém nas cores azul e branca. Sobre ele são colocadas as duas coroas de prata, do rei e da rainha, aquela maior e acompanhada de cetro, esta menor, descansando sobre uma salva.
A procissão e organizada à tarde, com grande concorrência, inferior, porém, à do Divino. Os andores de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito têm saído ultimamente iluminados, seguidos de várias formas de pagamentos de promessa. Notamos uma mulher com grande pedra à cabeça, duas crianças que seguiam debaixo do andor de Nossa Senhora, quatro outras que caminhavam debaixo do andor do Santo.
À noite acontece o leilão de prendas, à rua Dr. Samuel Costa, defronte da Igreja do Rosário, em um largo formado pela confluência com o Paço Municipal.
Embora pelas Atas da Irmandade do Rosário, do século passado, se saiba que havia em Paraty, além do Rei e Rainha, Juizes e Juizas, brancos e "de cor", há muitos anos estas figuras deixaram de existir, restando apenas o Rei e a Rainha. Como na Festa do Divino, as danças eram comuns depois do leilão, que acontecia após encerrada a procissão. De maior uso eram o Jongo, o Marrá Paiá e a Dança dos Velhos.
Folia de São Benedito
De uns tempos para cá, voltou-se ao antigo costume de se tratar uma Folia, para angariar esmolas para São Benedito.

Com apenas três elementos: um, encarregado de tocar a caixa; outro, que devia carregar a Bandeira; e finalmente o terceiro, incumbido de recolher os donativos.

Essa folia de São Benedito é, curiosamente, uma "Folia Muda". Como o nome esclarece, não tem cantoria, mas apenas o toque da caixa.

FESTA DO DIVINO EM PARATY

Paraty - Festa  do Divino
No mês de maio Paraty explode em comemorações. Na maior festa da cidade, o povo mostra sua fé e pede graças.
Nas procissões, nas barracas de comes e bebes, por toda parte, as pessoas levam adiante uma tradição que se transmite há muitas gerações.
No mês de maio Paraty explode em comemorações.
Na maior festa da cidade, o povo mostra sua fé e pede graças. Nas procissões, nas barracas de comes e bebes, por toda parte, as pessoas levam adiante uma tradição que se transmite há muitas gerações.

A festa do Divino Espírito Santo, realizada no dia de Pentecostes, homenageia a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, fonte de amor e sabedoria. Por isso a cor vermelha domina a comemoração, e uma pomba branca simboliza o Divino.

Na festa, que dura dez dias, acontecem celebrações religiosas (como ladainhas, procissões e missas), distribuição de comida, carne, vinho e doces aos presentes.
Para que a festa aconteça todos os anos, com seu lado religioso e profano é preciso muito trabalho e dedicação. Um festeiro conta com o apoio da comissão e do povo.
Quem é o senhor festeiro?
Para ser festeiro é preciso escrever uma carta ao padre, pedindo para assumir a festa no ano seguinte.Só se sabe o nome do festeiro do próximo ano no último dia da festa.O trabalho do festeiro do ano seguinte começa no domingo depois da festa. No final da missa ele “arreia” o mastro, e ao lado do povo o carrega pelas ruas da cidade, e depois o guarda na Igreja da Matriz.Após a missa da Ressurreição o mastro é erguido novamente, tendo o acompanhamento da Banda Santa Cecília, da Folia do Divino e de uma explosão de fogos de artifício.
Como acontece a festa
As comemorações do Divino Espírito Santo começam nove dias antes do Domingo de Pentecostes, na igreja da Matriz. A cada dia da semana da festa , a banda, a folia e o povo saem da casa do festeiro com a Bandeira Mestra. De lá seguem para casa de outro devoto (que representa um bairro ou uma classe). Dessa casa sai a Bandeira da Promessa - que tem muitos bilhetes e fotos com pedidos ao Divino - e ainda muitos fiéis com bandeiras vermelhas e brancas acompanham o cortejo até a Igreja da Matriz onde acontece a missa ou ladainha. Depois da celebração a procissão volta para casa de um outro devoto onde é deixada a Bandeira da Promessa e o grupo continua a acompanhar o festeiro e a Bandeira Mestra até a casa dele.

Durante a semana da festa, depois das celebrações religiosas todos os dias a cidade se transforma. Alguns eventos como gincana, apresentação de bandas musicais e show de calouros animam a pequena Paraty. O último fim de semana da festa reserva muitas surpresas. A primeira delas é a alvorada de foguetes , acompanhada pela Banda Santa Cecília, Folia do Divino e pela Fanfarra.
Ainda pela manhã a banda e a fanfarra saem pedindo esmolas e voltam para a casa do festeiro onde muita carne é distribuída ao povo.

Na ocasião todas as bandeiras da promessa são levadas para a casa do festeiro que é aberta ao povo. Sobre um altar em exposição sobre uma salva de prata, a coroa e o bastão do Imperador do Divino.

Ao meio dia, um dos momentos mais esperados da festa: a distribuição de comida e bebida ao povo. O cardápio quase sempre é arroz, farofa de feijão, macarrão, maionese, carne de boi e de frango.

O chope e o refrigerante também são distribuídos de graça. Filas de mais de 100 metros se formam. Pessoas de todos os lugares vêm provar a comida.

Na noite de sábado acontece a última ladainha e missa e logo depois, é coroado o Imperador do Divino: um garoto da comunidade vestido de roupas de época. O Imperador recebe um cetro e uma coroa de prata.

Da missa o Imperador, os vassalos e guardas de honra seguem para a frente da igreja, onde está montado um luxuoso palanque. Ali o Imperador recebe as homenagens, como apresentações de Ciranda, Marrra-Paiá, Dança das Fitas, dos Velhos e outras.

A banda Santa Cecília também toca enquanto um leilão arremata barquinhos, gaiolas de taquara, doces caseiros, peças de artesanato, bebidas e aves doadas como promessa. Também se apresentam o Boi, Cavalinho e a Miota, que depois saem pelas ruas brincando com a criançada. Um tocador de caixa acompanha as figuras.

Paraty -  Festas e Tradições
Paralelo a programação religiosa eventos festivos também são promovidos, como barraquinhas de comida e bebida e shows musicais e de calouros
Domingo da Festa
A alvorada musical desperta os paratienses para mais um dia de comemorações.
Bem cedo o povo se reúne na casa do festeiro, de onde sai o cortejo formado pelo Imperador, vassalos, guardas de honra, o festeiro e a Bandeira Mestra, e os paratynet devotos com suas Bandeiras da Promessa.

Depois de darem uma volta pela cidade eles seguem para a igreja da Matriz, onde é concelebrada uma missa (pelo bispo da diocese). Folhas de canela colocadas no chão perfumam o ambiente.

Depois da missa o Imperador acompanhado pelo grupo citado acima sai da igreja e assiste o “marra-paiá” vindo de Cunha e segue para a antiga cadeia, onde simbolicamente liberta um preso.

A tarde na casa do festeiro as crianças ganham doces e brincam de pau-de-sebo, leitão ensebado e gato no pote.
A última procissão acontece a tardinha e logo depois o festeiro velho passa a bandeira para o festeiro novo. A folia acompanha a passagem com versos e música:
É o sinhô festeiro velho, o sinhô tem bom coração
Passa pro festeiro novo, faz a entrega do fitão.
Eu já vi que o sinhô é um bom companheiro
Passa pro festeiro novo, faz a
entrega da bandeira
Ele é o meu amigo, jovem, vós é
imperador
Passa pro festeiro novo, faz a
entrega da coroa
Ele já entregou a coroa, nessa
mesma ocasião
Entrega pro festeiro novo, faz a
entrega do bastão
Toca o sino da igreja, nas
altura canta o galo
Passa pro festeiro novo, o
capacete do vassalo
O nosso festeiro velho, já
cumpriu sua missão
Ele já fez a sua festa, era de sua
obrigação
O nosso festeiro novo, ele tá de parabéns
Tá com o Divino na sua casa,
Até o ano que vem
E todos os dois são amigos, e
também são companheiros
E uma sarva de palma, que é pra
sarvá os dois festeiro
O último leilão de prendas acontece na praça. As homenagens ao Divino Espírito Santo que apareceu aos apóstolos de Cristo cinqüenta dias depois da Ressurreição, assumindo a forma de pomba, vem chegando ao fim. A festa é encerrada com o céu cheio de luz: fogos de artifício estouram, anunciando a esperança em repetir no ano seguinte essa divina tradição.
Senhor festeiro o meu boi morreu Vou dividir o boi com uns amigos meus
E a cabeça inteira?
É da senhora festeira?
E a carne do pescoço?
É do senhor seu moço
E o acém?
É do senhor Belém
E o mocotó da mão?
É do senhor seu João
E o filé mignon?
É do dom João
E o alcatra?
É da dona Mulata
E o patinho
E do Hiltinho
E a passarinha?
É da dona Filinha
E o bofe e a buchada?
É da criançada
E o fígado e o rim?
É do senhor Tuim
E o coração?
É do padre João
E a rabada?
É da rapaziada
E o couro inteiro?
É do senhor festeiro
E o chifre de quem é ?
É do amigo que quiser.
E essa glória de quem é?
É do João Pirrié.
Em toda a festa é certa a vinda dos dançadores do marrá-paiá de Cunha. O grupo forma uma confraria que cultua um santo que é paradigma de dedicação e trabalho: São Benedito.

A companhia é formada por cerca de trinta pessoas entre rei, rainha, mestre, contramestre, general, capitão general, inspetor e diretor. A dança simula uma luta, onde homens enfileirados um de frente para o outro, cruzam os bastões que se chocam.

Às vezes os colocam no chão formando desenhos sobre os quais dançam. Improvisam versos ao som de viola, pandeiro, sanfona e cavaquinho. Além deles, ouve-se o som dos paiás - espécie de guizo amarrado na canela dos participantes - daí o nome da dança (a)marrá paiá.

A dança dos velhos é dançada por jovens fantasiados como pessoas idosas. A banda toca dividindo a dança em três partes: marcha, allegro e fadinho.
Paraty -  Festas e Tradições
"De casa em casa o grupo parava e entoava versos de saudação"
O que é a Folia do Divino?

Antigamente o festeiro contratava a Folia do Divino - um grupo de cantadores que além de tocar durante os festejos percorria o município, pedindo dinheiro para fazer a festa. O trabalho começava no mês de agosto do ano anterior.

Os foliões seguiam por estradas estreitas, e de canoa pelo mar. Carregavam seus instrumentos, a alegria do canto e da música e buscavam oferendas para o Divino Espírito Santo. De casa em casa o grupo parava e entoava versos de saudação:
Deus lhe dê muito boa tarde
Aos devoto moradô
Que veio lhe visitá
este Divino sinhô.
A pombinha vem voando
No bico traz uma frô
Vem dizendo, viva, viva
Viva esse nobre sinhô
Quando a folia se deslocava a lugares de difícil acesso e pedia pouso, aí cantava:
Divino Espírito Santo
É um sinhô de salvação
ele pede uma agasaio
Pra ele e seus folião
Para pedir a esmola mais versos eram cantados
Este meu nobre sinhô
É nobre por geração
Queira dar uma esmolinha
Pra ganhar a salvação.
Meu pretinho do Rosário
Irmão de são Benedito
Dê uma esmola pro Divino
Que os da casa fica rico.
A maioria dos foliões viviam do canto por que o total arrecadado pelo grupo era dividido entre eles e os festeiros.

Era costume do povo ajudar e quem não tinha dinheiro doava leitão, galinha e até bezerroHá cerca de 8 anos a tradição da folia pedir esmola para festa meses antes, acabou. Hoje em dia a importante participação do grupo acontece durante todos os dias da festa.

Já a esmola só é pedida no sábado, último dia da novena, quando a banda e os foliões saem em bando precatório pelas ruas da cidade. Mas atualmente a maioria da verba para a Festa do Divino vem de leilões, bingos, rifas e festas organizadas pelo festeiro e sua comissão durante todo ano.

O Carnaval

Paraty -  Festas e Tradições
“primitivamente designativo da terça-feira gorda, tempo a partir do qual a igreja católica suprime o uso da carne, conforme Antenor Nascentes surgiu com a propagação do cristianismo e por força do seu calendário litúrgico”.
A História do Carnaval
Foto: Tuca Cunha
A posição da igreja católica apostólica romana em relação ao Carnaval foi, inicialmente, de uma ambigüidade mais que comprovada. O Papa Paulo II, no século XV, permitiu que, na Via Látea, bem próxima ao seu palácio, se realizasse o carnaval romano, com suas corridas de cavalos e corcundas, com seus carros alegóricos e lançamentos de ovos, com o local fisicamente iluminado por velas, introduzindo, como contribuição de sua inventiva, o baile de máscaras, que fez tanto sucesso como continua fazendo agora.O Papa Inocêncio III, constatando excessos e abusos, proibiu o uso de máscara pelos padres, e o festejo do carnaval dentro da igreja. As máscaras e os disfarces são, ainda hoje, "os elementos que mais identificam as festas carnavalescas.
As primeiras evocam, por vezes, algo de caráter mágico ritual, condicionado pela natureza e gênero das máscaras, na época antiga ou na Idade Média. Como outrora na Europa, especialmente na França, notam-se entre nós grupos de mascarados. Disfarces assim, porém, nem sempre foram bem vistos. "Em um bando publicado por Francisco de Castro Moraes, sobre o programa de festas para comemorar a Victoria de 19 de Setembro de 1710, proibia terminantemente que nenhuma pessoa pudesse andar mascarada de dia e de noite.
Os governantes tinham horror aos encaretados e disfarçados. As Ordenações nos livros 1° e 5° comutavam graves penas contra os que se mascarassem; multas pesadas, açoite, desterro, etc. eram aplacados contra os infratores. Em 1865 o governador do Rio de Janeiro, Duarte Coelho Chaves, publicou o seguinte bando que dá bem idéia dos rigores do tempo.
Dizia ele: Toda a pessoa, de qualquer qualidade e condição que seja, que se encontrar mascarado, incorrerá na pena de ir servir à Sua Majestade, que Deus guarde, na nova Colônia do Sacramento, do Rio da Prata, e sendo negro ou mulato, será açoitado publicamente ... (Documento do Arquivo Público). 0 Rio de Janeiro conhecia e apreciava as. vestimentas a caráter ... Esses disfarces, porém, creio, só eram permitidos em Certas indeterminadas condições e nunca nos três dias antecedentes à Quaresma. Trazido ao Brasil pelos portugueses, o carnaval foi inicialmente conhecido como entrudo.
“Não era com chuva de confeitos que as pessoas se saudavam nos dias de entrudo, mas com chuveiros de laranja e ovos cheios d’água o Carnaval, em Paraty, que foi muito animado desde os tempos do entrudo, guardou, até alguns anos atrás, muitos de seus curiosos usos, como o de se atirarem nos passantes folhas de taiá cheias de água ou mesmo de barro, e as batalhas de lama, à beira dos rios, nas zonas rurais.
Os blocos, que se sucederam ao Zé Pereira surgido no Rio de Janeiro em 1846, encontraram grande aceitação no município. Em muitas oportunidades, porém, se deixaram envolver pelo ardor político local, dividindo-se o carnaval, e com ele os blocos, por muitos anos, entre dois clubes de política oposta.
O Carnaval em Paraty
A exemplo do carnaval de Veneza, na Itália, e do carnaval de Olinda, em Pernambuco, o carnaval paratiense é brincado nas ruas pelos blocos de mascarados e bonecos gigantes que representam personagens especiais da cidade, alguns cuja origem até já se perdeu no tempo.
Um deles, por exemplo, é o Voronoff, que é um um boneco representando um homem com uma enorme cabeça, que segundo a crença popular, é a caricatura de um médico russo que passou pela cidade no século passado e que fazia transplante de órgãos em animais vivos, uma espécie de médico e monstro.
Outro personagem típico é a Miota ou Minhota que, vindo originalmente do Minho, em Portugal, é representada por uma mulher com um enorme pescoço que, segundo a lenda, servia para bisbilhotar a vida alheia por cima dos muros.
Interessante também é a história do Peneirinha, boneco feito por uma pessoa com uma peneira coberta por um pano na cabeça e um paletó abotoado nas costas. Este personagem, por esconder não só a cabeça mas também a forma do corpo, era o preferido dos homens casados e das autoridades que pretendiam brincar o carnaval sem serem reconhecidos.
Além destas figuras bonitas e engraçadas, havia também os blocos de mascarados e de fantasia, crianças e adultos, que saiam para "assustar" o povo com suas figuras de caveiras e caras deformadas feitas em papel machê e com belíssimos desenhos multicoloridos.


Bloco da Lama
Paraty -  Festas e Tradições
Em Paraty, a mais histórica das cidades do estado do Rio de Janeiro, um bloco formado por seres, quase pré históricos, sai pelas ruas de pedra e abre o carnaval, garantindo quatro dias de folia e muita alegria.

O Bloco da Lama surgiu quando alguns amigos brincavam de lama no mangue da praia da Jabaquara em Paraty. Quando olharam um para o outro perceberam que estavam irreconhecíveis, saíram pelas ruas do Centro Histórico.
No ano seguinte um grupo maior se reuniu e saiu em bloco no primeiro dia do carnaval, representando uma tribo pré-histórica.
Objetivo era espantar os maus fluídos para que o carnaval acontecesse em alto astral.
Por pura diversão ou por buscar os efeitos medicinais da lama da Jabaquara rica em iodo e enxofre - ano a ano, cada vez mais o Bloco da Lama ganha um maior número de adeptos e é mais uma das tradições do carnaval de Paraty.
Em 1995 o Bloco chegou a ter mais de 2.000 integrantes. Por ter crescido tanto , os organizadores têm feito uma campanha junto aos participantes, através da mídia local e de folhetos informativos, sobre a importância de não sujar as paredes, carros e pessoas que estejam passando pelas ruas, honrando assim o nome do bloco e ajudando a preservar essa tradição.
O traje adequado é sunga ou biquini. Da Praça da Matriz todos seguem para a Praia da Jabaquara, onde acontece o tradicional "banho de lama". É nessa hora que os mais caprichosos procuram nos adereços naturais - como barba de velho (uma parasita muito comum na região), cipós e ossos - a complementação da sua fantasia.
Para fazer parte do bloco é só seguir o andor de bambu que carrega uma caveira de boi, e soltar seus instintos mais primitivos. O grito de guerra dos intrépidos participantes é : UGA UGA RÁ RÁ.
Durante o percurso que passa pelo Centro Histórico da cidade, o bloco faz algumas evoluções. Nestas paradas acontecem verdadeiras representações teatrais, que misturam o amadorismo do coletivo e o talento intuitivo de alguns participantes. Quando não houver um só espírito negativo rondando a cidade o bloco se despede com a última evolução em frente à Capelinha das Dores e o banho dos integrantes no Rio Perequeaçú.
Os fundadores do bloco, Congá e Niltinho, aproveitaram o sucesso e influência do bloco entre os jovens para lançar alguns apelos, como chamar atenção sobre a importância dos manguezais, conscientizar os integrantes sobre o valor do respeito ao próximo e passar uma mensagem de paz, para que o carnaval seja sempre uma festa de alegria.
MÁSCARAS DE papel
Os tradicionais mascarados de Paraty saem às ruas logo que terminam os festejos de Natal, anunciando o próximo carnaval.
Geralmente, as máscaras representam figuras amedrontadoras cuja função é afugentar os maus espíritos e garantir, assim, que o carnaval transcorra na mais perfeita paz.

É no período que antecede o carnaval que se intensifica a produção caseira de máscaras.
Como é Feita
Em primeiro lugar, faz se uma fôrma de barro, que depois de seca é coberta com sabão. Sobre a forma vão sendo colocadas, então, tiras de papel lambuzadas com cola de farinha de trigo, em várias camadas.
Quando a máscara atinge cerca de 3mm de espessura, deixa se que ela seque para ser retirada da fôrma.

Em seguida, ela é pintada com guache e já está pronta para o uso. As fôrmas de barro são conservadas para outras máscaras que se deseje fazer.